8.9.15

Amélia

Eu não posso chorar, não aqui, não agora — Era o que Amélia dizia a si mesma toda vez que alguém falava de algum assunto delicado para ela. Assuntos delicados deixa qualquer pessoa, mesmo que ela seja forte, a deixa instável. E era assim que Amélia ficava, uma parte de seu corpo paralisava, outra parte tremia, a garganta tinha um nó e os olhos ardiam.

Está tudo bem — Dizia sempre, mas não estava. Toda vez que ela se sentia mal com esse tipo de assunto, ela ficava com medo, medo de chorar na frente dos outros e esses outros não entenderem seu lado emotivo, seu lado inseguro. Medo de ser julgada, medo de ser deixada sozinha e vista como idiota pelas pessoas que amava — Está tudo bem comigo — Era o que sempre dizia, mas não estava. 

Amélia não aguentava esses assuntos, recuava, fugia, corria para onde se sentia segura, onde ninguém a via ou poderia lhe julgar, ia para sua fortaleza, para seu forte seguro, ia para onde se sentia a vontade para chorar, lamentar, se sentir mal sem que ninguém a veja, ela ia para seu quarto. Amélia era sozinha, não gostava de ser sozinha, de se sentir sozinha mas ela era, e seu travesseiro molhado sabia o quanto ela se sentia mal.

Todos os dias, Amélia acordava com raiva pois ia enfrentar mais um dia em sua vida, e todos os dias a tristeza consumia sua vida, sua energia. Ela não conseguia mais se sentir feliz, ela não era feliz, mas todos os dias ela enganava a todos e as vezes, até a si mesma por alguns instantes.

Amélia um dia não aguentou. Depois de sair de sua escola, foi caminhando em direção a ponte de sua cidade, tinha 22 metros de altura e ela olhava para baixo, imaginando o que aconteceria se ela pulasse — Meus problemas vão acabar? Minha tristeza vai embora? Ninguém se importaria comigo, ninguém nunca se importou de verdade, me viam para baixo, e as vezes triste e ninguém queria saber de verdade como eu estava. De verdade — Amélia falava para si mesma. Por um instante ela fechou os olhos e colocou um pé para frente e depois o outro, estava pronta para pular.

Mas, ela sentiu a brisa em seu rosto, balançando seus cabelos e então, deu um sorriso singelo, e acima de tudo, verdadeiro. Abriu seus olhos olhou bem para baixo e pulou.

A ponte conhecida como Ponte das Águas Tranquilas, era onde milhares de pessoas gostavam de ir para refletir, embaixo, suas águas eram azuis e cristalinas, limpas, lindas. Amélia pulou, mergulhou e nadou, nadou para bem longe e depois, saiu da água e foi caminhando para sua casa.

Amélia sabia que talvez, nunca conseguiria enfrentar seus medos de verdade, talvez esses assuntos delicados a atormentassem para sempre mas, Amélia também sabia, que tinha muito o que caminhar ainda e, por enquanto não era hora de desistir. 

Escrito por: Jéssica de Carvalho Arrais (sim eu)

17 comentários:

  1. linda crônica, me inspirou a não desistir e a seguir firme e forte como Amélia!
    Beijos, Um Mundo Em Duas 

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  2. Nossa realmente que texto lindo, ela pulou e nadou, queria pular onde tem águas cristalinas, as vezes assuntos delicados é complicado de ser encarado, eu não consigo, as vezes as pessoas não se importa com vc só se importa quando precisam, mas agora não é o momento de desistir
    beijos <3 http://www.blogdaxavier.com.br/

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  3. Que legal. É um texto para aqueles momentos que a gente pensa em desistir, mas algo nos faz continuar. E você também poderia escrever um livro. Bjus!

    galerafashion.com

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  4. amei a crônica , é um bom texto para refletir !

    www.nataliloure.com.br

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  5. fantástico, este post! adorei o texto, está muito bem escrito mesmo e passa uma mensagem linda de força e determinação :D beijos

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  6. Olá, Jhessica. Tudo bem?
    Gostei bastante do texto, muito bem escrito.
    O drama vivido por Amélia é o tanto intenso, real e nos faz refletir.
    Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  7. Que crônica linda, senti até uma conexão com os sentimentos da Amélia. Fiquei até com medo quando ela pulou, pensei que ela ia cometer suicídio. Pensei "Caramba, o final vai ser triste mesmo?" Ainda bem que não foi, rs.
    Beijos
    Infinita Feminice

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  8. Ameei esse texto, lindo. :)
    http://corujasemasas.blogspot.com.br/
    Beijos! <3

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  9. Você escreve muito bem Jessie, adooorei o texto ! <3
    bjuxxxx
    http://www.taayvargas.com/

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  10. Que texto bonito, adorei a escrita! E achei inspirador!
    Que bom que Amélia não desistiu!
    bjs
    blogtrashrock.blogspot.com

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  11. Linda crônica! Digo que sou meio Amélia pelo fato do cotidiano ir me matando aos poucos (dormir menos de 5h por dia devido trabalho e faculdade), mas não 'pulo' porque quero seguir demais meus sonhos, mas o cotidiano é um meio para alcançá-los e se eu pulasse iriam parar de existir.

    bjs, Carol | Espilotríssimo
    www.carolespilotro.com

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  12. Lindo texto, me identifiquei. Parabéns!
    nicoleprass.blogspot.com

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  13. que liiiiiiindaaa crônica! Amei <3

    http://apequenaka.blogspot.com.br/

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  14. Legal legaaal ♥

    http://heyimwiththeband.blogspot.com/

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