15.10.15

Melanie


— Hoje é um dia muito triste, Melanie Gomez T. uma jovem muito querida pela família, infelizmente foi para um lugar melhor. Vamos orar pela essa jovem, para que a luz a guie pelo caminho certo — dizia o padre enquanto pedia para que todos que estavam presente no velório se levantassem, para orar por Melanie. Melanie se suicidou, e ninguém quer acreditar nisso.

Era uma tarde como qualquer outra. Melanie, voltava da escola. Entrou em sua casa, jogou a mochila no sofá, foi direto para a cozinha almoçar. Sentou-se na mesa de jantar/café da manhã sozinha, a mãe dela não tinha tempo mentalmente, e seu pai não tinha tempo fisicamente. Melanie, era sozinha. Terminou o almoço, pegou sua mochila e foi para seu quarto. Deitou-se em sua cama, estava psicologicamente exausta, e numa solidão imensa. Fechou seus olhos e lágrimas escorreram em suas bochechas rosadas.

Melanie, em um ato de desespero, uma luta que travava contra si mesmo por anos, olhou-se no espelho mais uma vez, cerrou os punhos e abaixou a cabeça, e dessa vez, uma única lagrima escorreu de seu resto. Ela não suportou mais. Pegou uma faca afiada e pequena, e começou a fazer grandes cortes em seu pulso. Ela se odiava. E estava sozinha. Se sentia sozinha. Muito sangue começou a jogar de seu pulso mas Melanie, não sentia dor nenhuma, parecia estar dormente, porém seu coração doía, sentia fortes dores de cabeça e no peito. Sentia-se vazia. Melanie, foi para o banheiro com o braço sangrando, fazendo um corredor de sangue de seu quarto até o banheiro. Tirou a jaqueta, tirou o tênis, tirou o óculos, olhou-se pela última vez no espelho do banheiro e com um batom qualquer, escreveu “me perdoem”. Deitou-se na banheira, ligou a torneira e a encheu de agua morna, mergulhou dentro, e fez vários cortes profundos em só mesma. Foi perdendo muito sangue e lentamente, ela foi ficando com sono, sono, sono e de repente, ela fechou seus olhos, e entrou em um sono profundo, sereno e calmo.

— Padre, obrigada por orar por nossa filha — dizia a mãe chorando que estava ao lado de seu marido.
— Meus pêsames, Melanie parecia ser uma menina tão saudável, nunca imaginei que ela faria isso — dizia o padre segurando as mãos da Sra. Gomez.
— Muito obrigada por tudo padre — disse o Sr. Gomez apertando as mãos do padre e se dirigindo ao seu carro junto de sua esposa.

O caminho foi silencioso. Os pais de Melanie não disseram nada, apenas prosseguiam para sua casa, se perguntando mentalmente o que levou sua filha, se suicidar.
O pai de Melanie, foi para seu quarto, tomou um banho rápido e foi deita-se, ele queria que fosse apenas um pesadelo.
A mãe de Melanie, ficou na mesa de jantar, tomando um café extra forte e sem açúcar. Estava vendo as fotos de Melanie e se perguntando, quando foi a última vez que ela e sua filha, tiveram uma tarde juntas, sem brigas, sem raiva, apenas risos. Nunca. Sra. Gomez, se levantou e ia indo para seu quarto quando, pensou em ir no quarto de Melanie. O chão estava limpo, o quarto estava do mesmo jeito que a filha deixará antes de partir. Sentou-se em sua cama e ficou olhando para os lados, imaginando sua filha ali, sentada lendo um livro ou apenas, quieta na dela com um olhar cabisbaixo. Ela notou algo estranho em cima do notebook de sua filha, era um envelope rosa florescente, e como já estava escuro, não conseguiu não notar aquele papel brilhando. Levantou-se, pegou e sentou-se novamente.

Abriu:

“Oi mãe, oi pai. Acho que se vocês acharam está carta quer dizer que eu finalmente consegui fazer o que já queria a muito tempo. Acho que vocês devem estar se perguntando o por que eu fiz isso, ou se eu estava com problemas, por que não me comuniquei com vocês. Bem... eu tentei. Todas as vezes em que eu acordava de mal humor, foram as vezes que eu estava triste por ter acordado, todas as vezes que eu me irritava com facilidade era na verdade, apenas tristeza disfarçada em raiva. Raiva para impedir que minhas lágrimas escorressem. Eu tentei conversar com vocês, tentei me expressar mas é bem difícil. O meu passado me atormenta. Todos os dias é bem difícil de viver, principalmente quando se é perseguida na escola por não ser boa o suficiente para nada. Desde criança sofri demais na escola, na igreja ou seja lá onde dia, ninguém nunca gostou de mim e por anos eu me odiei, odiei minha pele, meu cabelo, meus olhos, minha voz, minha aparência. A mim. Odiei a mim mesma. Todos os dias eu chorava por não conseguir ser aquilo que eu queria. Tentei falar isso mas, era apenas besteira para vocês, diziam que era apenas uma fase e que passaria. Eu precisava muito de ajuda, me cortei por um tempo por me odiar, ou pelas brigas estúpidas de vocês dois. Eu só queria conversar de verdade, eu apenas queria ajuda, eu não queria fazer o que eu fiz de verdade, eu já havia tentado várias vezes e desistido por ser fraca, idiota. Eu sempre fui uma perdedora. Sozinha. Estranha. Feia. Eu sempre fui eu... me perdoem pelo o que eu fiz, não queria trazer mais sofrimento, mas eu não aguentava mais isso, minha mente estava me deixando maluca, meu interior estava me corroendo por dentro. Eu não aguentava mais. Queria que vocês tivessem entendido meu vazio aqui dentro, pelos meus problemas psicológicos e minhas lutas internas, da minha mente maluca com um lado pequeno de minha mente sã. Todos os dias eu me encolhia na cama e chorava, por isso vivia tão trancada e deprimida, acho que nunca notaram isso. Eu precisava de ajuda, precisava de ajuda... precisava de vocês, precisava saber se vocês não iriam me julgar, não iriam me dar apenas um sermão, não iria brigar comigo ou pior...me ignorar. Eu não tenho raiva de vocês, na verdade eu amo muito vocês, mas eu não me amo mais, parei de me amar quando eu tinha 7 anos. Eu tentei mudar, tentei dar a volta por cima, mas a única coisa que eu carregava em meu coração, era ódio das pessoas que me fizeram mal, era magoa, amargura, solidão, tristeza... apenas sentimentos ruins. Eu não conseguia mais conviver com isso. Não dava mais. Era um horror na escola, todos bagunçavam comigo, e já até apanhei por causa de minha aparência. E sabe o que é pior? Não pode falar isso para ninguém, pois falariam que eu estava sofrendo por besteira, me mandariam crescer, e iam dizer que passaram por coisa pior ou que existe gente em piores situações. Eu me sinto tão má e egoísta por sofrer por isso, pelo o que eu passei. Essa semana, na escola, falaram que meninas como eu, vai ser sempre sozinha e esquisitas, ninguém encostou em mim, a escola toda me zoava, já falaram maldades nas minhas redes sociais, e na minha cara mesmo. Me perdoem, me perdoem pelo o que eu fiz, por fazer vocês sofrerem, eu não queria isso, não queria que acontecesse nada disso, mas era tanta coisa em minha mente, meus sofrimentos que não curaram, não cicatrizaram, nossas brigas, as brigas de vocês. Me sentia mal. Espero que possam me entender o porquê deu ter feito o que eu fiz, espero que continuem me amando, eu amo muito vocês, até depois de ter partido, continuo amando vocês.

Melanie, para mamãe e papai.”

Sra.Gomez mostrou a carta para seu marido, e ambos choraram e lamentaram nunca terem tempo de verdade e interesse de verdade no que se passava com sua filha. Mas já era tarde.

8 comentários:

  1. A crônica ficou tão boa que eu até fiquei triste pela Melanie de verdade. Infelizmente a depressão ainda não é encarada como uma doença pra muita gente, a gente ainda ouve que isso é "frescura". Esse texto podia até servir pra alguma campanha relacionada ao assunto, como forma de alerta pra que a gente observe mais o comportamento das pessoas ao nosso redor e possa ajudá-las.
    Beijos
    Infinita Feminice

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  2. Cara o texto tá INCRÍVEL! Até me emocionei aqui. Esse tipo de problema é muito sério...
    Beijão!

    estilodesobrababy.blogspot.com

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  3. Que texto mais lindo, me emocionei muito, esse texto serve como um alerta sobre a doença.
    Beijos

    http://luadefevereiro.blogspot.com

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  4. Que triste. O pior é que já vi muitos pais e mães que não dão atenção necessária para os filhos. É como se os filhos não existissem e não tivessem problemas. O bullying é algo a ser combatido nas escolas. Bjus!

    galerafashion.com

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  5. Meu Deus eu amei a crônica ♥ sério fico muito boa u.u

    www.nataliloure.com.br

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  6. Olá, tudo bem?
    Estou enviando esse comentário novamente, pois não sei se anterior foi enviado.
    Adorei o conto/conto. A história da Melanie é digna de lágrimas e boas horas de reflexão.
    Gostei bastante da forma como desenvolveu/abordou um tema tão pesado como a depressão.
    Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  7. parabéns por este texto maravilhoso! muito bem escrito :D adorei!!

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  8. Muuuiito lindo msm o texto jéssica me emocionei lendo me sinto igualzinha a melanie a diferença é que eu nunca teria coragem pra me matar gracas a deus nunca sofri bulliyng o bulliyng que eu sofro é comigo mesma me olhar no espelho e odiar o que esta vendo olhar ao meu redor e ver pessoas infelizes fingindo seres felizes
    Parabéns pelo texto muito lindo msm 😘

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